A ESFERA AZUL

A primeira fotografia do planeta Terra conhecida como “esfera azul” foi tirada em 1972 enquanto os tripulantes da Apollo 17 abandonavam a órbita terrestre em direção a lua, realmente uma imagem das mais poderosas produzidas pelo engenho humano, apesar das descrenças terraplanistas, o planeta esférico com o advento da era espacial passou a ser cada vez mais fotografado, sensorizado e monitorado.

A cognoscibilidade do planeta (Santos,M. por outra globalização) é uma das mais poderosas fontes de controle geopolítico da informação, em pleno cenário de crise econômica e sanitária o governo dos EUA encaminhou projeto de lei para o aumento do orçamento público destinado a NASA, todo esse conhecimento sobre a superfície precisa reorientar as teorias geográficas sobre a teoria dos ecúmenos, ela já não se aplica apenas aos espaços habitados pelo homem e sim a totalidade do planeta, que vai sendo fragmentada a partir das várias possibilidades de uso e no processo de construção de uma inteligência planetária (Santos,M A natureza do Espaço).

A intencionalidade indissociável das ações humanas e dos objetos, devem motivar aos geógrafos a promover análises críticas sobre os conteúdos espaciais e sobre o papel da técnica na produção do espaço geográfico, ou seja, desvendar as intencionalidades inscritas nesses objetos, seria em primeiro lugar analisar a base ideológica que os produz.

Tanto as objetivas que fotografaram a Terra, como os sensores dos sofisticados sistemas de geoprocessamento, são sistemas técnicos desenvolvidos com certas finalidades que ultrapassam  o uso da coisa em si. Alguém posicionou a câmera e privilegiou determinada perspectiva, a imagem vai se tornando mais poderosa que os conceitos filosóficos e científicos.

A imagem de um planeta sem fronteiras se torna extremamente importante para afirmar a ideologia da Globalização, imagens poderosas que se transformam em conceitos como da Aldeia Global desenvolvido pelo filosofo canadense  Heberth Marshall Mcluhan , o progresso tecnológico reduziria o planeta a uma aldeia , em que todos estamos de certa forma interligados e formando uma cultura oral global através das redes, uma verdadeira recusa da realidade local e a idealização da escala global (Carlos,W a natureza da globalização).

A grande perversidade dessa fábula é que o uso do espaço e do tempo não é o mesmo para todos, as escalas apresentadas muitas vezes não revelam as tensões sociais e econômicas, mesmo pensando nas famosas imagens noturnas mostrando a oposição de pontos luminosos e opacos na superfície terrestre, a escala não permite enxergar as opacidades no interior desses espaços luminosos

Para os atores hegemônicos, Principalmente as empresas globais as possibilidades de uso desse espaço se tornam cada vez mais amplas  e construir a ideologia da globalização é essencial para que os mecanismos de mais valia global possam se reafirmar. As fabulações arquitetadas em IDÉIAS-IMAGENS são fundamentais para o desenvolvimento da psicosfera (Milton,S) que sustente essas ações. A engenharia moderna do marketing consegue  através de técnicas extremamente sofisticadas de persuasão massificar valores e estabelecer um comando global das ações.

A infalibilidade da ciência é uma dessas idéias, o desenvolvimento cientifico ao longo da maturação das revoluções industriais estabeleceu uma relação estreita com o mercado, em um ambiente marcado pela arena capitalista monopolista, a competitividade é a norma e nesse caso os meios justificam os fins, ou seja o lucro.

 No contexto da pandemia podemos constatar essas ambiguidades , o desenvolvimento das vacinas ainda segue o velho esquema da selvageria capitalista, os centros capitalistas garantindo suas doses e desenvolvendo uma estratégia empresarial lamentável para fornecer essas vacinas para a periferia, mas quem sabe a globalização do vírus não vai colocar tudo isso em xeque.

Postagens Recentes

Ciro Gomes é de direita?
Ciro Gomes é de direita?
A UTOPIA DO SONHO AMERICANO E OS LIMITES DO DESENVOLVIMENTO